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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Linhas Soltas - Também se aprende a gostar de ler


Não vos venho falar do que eu estou a ler ou li, mas do que os outros lêem.

É vê-los enervados, a barafustarem, a deitarem contas à vida, porque por cada módulo têm de ler um livro, o que, ao final de um ano lectivo, perfaz o número de, pelo menos, quatro livros (ronda as 800/1000 páginas).

Dizem eles que detestam, abominam ler. Que tal coisa nunca lhes fora pedida. Pior, que é um absurdo pedir, para avaliação, que se leia… livros.

Estas são as reacções dos meus alunos, no início de cada ano lectivo, quando lhes digo que um dos parâmetros da avaliação é a leitura recreativa. Explico-lhes que devem pegar num livro à sua escolha e lê-lo. Somente isso, ler! Ler e preencher uma pequena ficha sobre o livro.

Para todos nós, para quem a “tarefa” de ler é um deleite e um momento sublime, será, talvez, difícil de entender a angústia que é para muita gente pegar num livro e lê-lo do início ao fim. Essa é, aliás, a angústia de muitos jovens portugueses a quem, muito raramente, se pede que leiam, por simples prazer.

No início barafustam quanto podem, mas quando chega o final dos módulos, alguns chegam felicíssimos, dizendo: “Stôra, stôra, este livro é tão fixe! Adorei. E agora vou ler este aqui. Veja, veja! Ai, ai… é tão fixe!!!” Solta-se-me uma gargalhada.

Este episódio não é filho único. Repete-se todos os anos. E é um prazer imenso ver que adolescentes de 15, 16, 17 ou 18 anos abrem, muitas vezes, pela primeira vez, um livro (sim, são eles mesmos que mo confessam!). É agradável saber que, apesar de tudo, eles até o fazem, ainda que, inicialmente, por imposição. E é extraordinário, no final, saber que lhes ficou aquele bichinho das letras e das histórias que nos maravilham.

Não me interessa que leiam Homero, Shakespeare, Camões ou Cervantes. A mim, interessa-me que cada um faça o seu percurso individual de leitura. Se é preciso começarem por livros mais infantis, pois bem, que comecem. Mas que comecem, de facto! Se esse momento de encontro com o livro nunca tiver início, dificilmente alguma vez conseguirão ler livros mais volumosos, mais complexos do ponto de vista cognitivo e literário ou mesmo pegar em revistas e jornais e terem o deleite de ler o que se passa à sua volta, de se informarem, de serem cidadãos do Mundo.

Ninguém lerá se não tiver a oportunidade de se confrontar com um livro, um só que seja que lhe encha a alma.

A minha escola não tem biblioteca. Os alunos são de fracos recursos económicos. Não gostam, nem de ler, nem de escrever. Eu empresto livros. Eles pedem-nos emprestados. Eles trocam leituras aprazíveis. É assim que se faz. E não há desculpa para não se ler. Até porque… ler é um prazer. E isso aprende-se… lendo!

E você, como aprendeu a gostar de ler?

6 comentários:

Anônimo disse...

Calhei a vir ao site e dou com um texto cuja assinatura reconheci...sem a ver. Desci sobre o texto e confirmei logo.
Eu acho que o incentivo à leitura está na gama de interesses e curiosidade que se podem despertar no aluno para que este satisfaça num texto - que é uma fonte de informação - essa mesma curiosidade.
Obviamente que textos mais difíceis exigirão um maior "capacidade leitora" do aluno. Cabe aí ao aluno e ao professor desenvolver estratégias de leitura, sempre com o fito de expurgar os textos daquela informação que é útil para o aluno. Obviamente que não é este o único tipo de leitura que se deve exigir do aluno...Mas é o tal início deu que justamente falavas. Para mim é bom que se leia o Record: Mas não é tudo, felizmente o que se pode ler.

Cristina Bernardes disse...

Eu aprendi a gostar de ler ao ouvir os outros lerem, ao ver os outros lerem e sobretudo a ler sozinha aquilo que eu queria ler, mesmo que nem sempre fosse adequado para a minha idade, na altura.

Janna disse...

Realmente o prazer da leitura não é para todos...Mas no meu tempo da escola era difícil professores incentivarem a leitura, a não ser os livros que se exigiam...Temos que ler o que nos interessa para aprimorar a leitura, tomo por exemplo meu noivo ele adora o filme Harry Potter, compramos os livros a saga toda eu terminei de ler a coleção inteira no ano em que compramos que foi 2007, mas até hoje ele ainda está lendo...isso pq os livros são enormes e o filme éh bem mais rápido...mas nd se compara com os livros os filmes são muito resumidos, qdo li alguns dos livros que tinha visto primeiro o filme passei a não gostar do filme por não ser "igualzinho" ao livro...Mas aí meu noivo me surpreendeu pois ele está gostando de ler agora livros que motivam carreira profissional, e está gostando tambpem pudera os livros não são grandes alguns não chegam nem a 200 páginas, mas éh um assunto que interessa muito a ele então ele lê "brincando" taí um exemplo que temos que ler aquilo que nos interessa...Outra coisa que queria deixar aqui, éh sobre um projeto que a minha cidade tem aqui no terminal de ônibus existe o "Vai e Vem" saõ livros doados que se empresta as pessoas sem precisar dar nome mostrar documento, éh um incentivo a leitura eles confiam nas pessoas e emprestam os livros para lerem...e caso não tenha algum livro no "Vai e Vem" eles encomendam da Biblioteca Pública, achei muito bacana esse projeto pois está dando acesso aqueles que não tem como comprar os livros muitos vezes bem caros...

BjOs adorei o texto...

Rafael Martins disse...

Infelizmente os jovens lêem pouco, principalmente aqui no Brasil, onde os investimentos em educação são escassos.

Anônimo disse...

Eu amo os livros!

Manuela Caeiro disse...

Às vezes encontramos uma postagem antiga que nos interessa... como é o caso desta.
Eu estou a iniciar um projecto voluntário com adolescentes, em bibliotecas escolares, como pode ver em: http://manuela-quartocrescente.blogspot.com/2010/11/com-varios-livros-debaixo-de-olho.html
Ora, nós aprendemos em conjunto. Posso perguntar-lhe que livros empresta a esses jovens?... Pode dar-me alguma sugestão?
Desejo-lhe o maior êxito no seu trabalho... e neste acto de motivar a leitura.

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